Hoje, a tendência dos investidores de ações é avaliar tudo o que está acontecendo no cenário brasileiro e repensar seus investimentos, buscando alternativas mais seguras e que tragam bons retornos, como o setor imobiliário. O Brasil passa por uma instabilidade política faz alguns anos, e isso impacta diretamente a economia. Além disso, desde o início de 2020, o mundo todo enfrenta uma pandemia, causada pelo coronavírus, que afetou economicamente a todos.

A Impacto conversou com um especialista no assunto, o economista Daniel Corrêa da Silva, e preparou esse artigo para mostrar no que toda essa instabilidade política e econômica interfere no mercado imobiliário, e ajudá-lo a entender que sim, as imobiliárias podem obter vantagens mesmo diante dessa situação.


A busca pela segurança

No início de nossa conversa, Daniel nos contou que, em um país subdesenvolvido e dependente como o Brasil, se observarmos o histórico de outros momentos turbulentos como o atual, “é natural que os investimentos em rendas variáveis, como são os investimentos em ações, tendam a ter um refluxo em períodos de crise, por serem considerados investimentos muito mais arriscados”.

Ou seja, esses investidores precisarão de outro setor para colocarem seu dinheiro, e as opções mais procuradas podem ser aquelas que não oferecerão grandes riscos. As pessoas tendem, neste momento, a buscar segurança.

Além do fator segurança buscado por diversos investidores, no Brasil, tivemos nos últimos 6 anos, passando pelos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, políticas acentuadas de redução de juros. Então, enquanto crises de instabilidade política ocorrem no país, a taxa SELIC chegou a bater 2% ao ano, facilitando a compra de imóveis e atraindo ainda mais pessoas para este setor. O economista afirma que “na bolsa de valores, um dos ativos que mais foi rentabilizado entre 2019 e 2020, foram os fundos imobiliários, que nada mais é do que um consórcio de investimentos do mercado imobiliário”.


Efeitos da pandemia na economia e no mercado imobiliário

A partir de março de 2020, a economia do nosso país, assim como do mundo todo, passou a enfrentar algo tão complicado quanto as crises e instabilidades internas que já eram uma dura realidade desde o processo de impeachment de Dilma Rousseff: chegou a pandemia, causada pelo coronavírus. Daniel Corrêa lembra que, mesmo em meio a este gravíssimo choque que afetou diversos setores da economia, algumas consequências acabaram aquecendo o mercado imobiliário:

“A classe média, principalmente, trabalhadora de escritórios, tinha sua vida organizada em função do local onde trabalhava. E como muitos desses trabalhos migraram para atividades remotas, várias pessoas buscaram lugares para viver mais distantes, nos subúrbios, apartamentos maiores, com áreas externas, ou casas, o que serviu para aquecer o mercado imobiliário. Em um cenário de crise, isso foi muito vigoroso no ano passado”.

Essa questão extremamente relevante mencionada pelo economista, mostra mais uma vez a solidez e segurança que o mercado imobiliário oferece aos investidores, pois mesmo quando a instabilidade política brasileira foi agravada por uma crise de saúde global, o setor foi aquecido e tornou-se uma ótima oportunidade.


Como estamos atualmente

Seguindo nossa conversa com Daniel, ele informou que o governo, em março, para conter a inflação, resolveu elevar as taxas de juros, e a taxa SELIC atual está em 2.75% ao ano. Isso porque a crise fez com que muitos preços aumentassem, como o de prestação de serviços, aluguéis, gasolina, conta de luz, telefonia, planos de saúde e outros…

Essa alta na taxa SELIC, junto à alta de preços e permanência da instabilidade nos setores político e econômico brasileiros, sinaliza uma possibilidade daqueles investidores que estavam na bolsa de valores e que resolveram migrar para investimentos imobiliários, acentuarem ainda mais esse movimento, seja partindo para os fundos imobiliários ou para a compra de terras e imóveis,  pois o mercado imobiliário, além de oferecer maior segurança, tem uma peculiaridade: o fato de o Brasil ter uma grande quantidade de terras para expansão das cidades. Ou seja, existem muitos lugares a serem explorados, que geram a “renda da terra”, e que criam a expectativa do contínuo desenvolvimento e aquecimento do setor, tanto nas áreas rurais, quanto nas urbanas.

Para finalizar, Daniel Corrêa afirma que “Os brasileiros que se veem na crise com poucas reservas, ou enxergam sua renda baixar, consideram fortemente o investimento em imóveis”. Isso se dá por uma questão cultural, pois popularmente os imóveis são ativos conhecidos como os que sempre valorizam, um mercado onde nunca se perde dinheiro. E também pela razão de o mercado financeiro brasileiro ser muito volátil, e para corrigir essa distorção, somente se tivéssemos uma alteração da nossa posição do mundo, o que não é o caso.


Conclusão

O Brasil segue sendo um país dependente e não consegue sustentar por muito tempo uma grande valorização da bolsa, com total margem de segurança, pois não é nosso perfil de estrutura econômica. Isso faz com que mercados seguros, como o imobiliário, tornem-se atraentes para quem procura solidez e bons retornos financeiros.

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