Investimento seguro: como o mercado imobiliário reage à instabilidade política e à pandemia?
Em cenários de instabilidade, investidores migram para alternativas mais seguras — e o setor imobiliário costuma ser uma delas.

Em momentos de crise, investidores de renda variável tendem a buscar segurança — e o mercado imobiliário historicamente se beneficia desse movimento. Foi o que explicou à Impacto o economista Daniel Corrêa da Silva, num cenário marcado por instabilidade política e, a partir de 2020, pela pandemia.
Juros baixos, imóveis em alta
Nos anos de instabilidade política que atravessaram os governos Temer e Bolsonaro, a Selic chegou a bater 2% ao ano — facilitando o financiamento e atraindo ainda mais gente para o setor. Não à toa, fundos imobiliários estiveram entre os ativos mais rentáveis da bolsa entre 2019 e 2020.
O efeito (inesperado) da pandemia
Com a migração em massa para o home office, muita gente passou a buscar imóveis maiores, com área externa, muitas vezes fora dos grandes centros — um movimento que, segundo o economista, “aqueceu o mercado imobiliário” mesmo em plena crise sanitária.
O cenário mais recente
Com a Selic subindo para conter a inflação, o quadro mudou, mas a lógica segue parecida: investidores que migraram da bolsa para o setor imobiliário tendem a reforçar essa posição, seja via fundos, seja via compra direta — puxados também pela grande extensão de terra disponível no Brasil, que sustenta a expectativa de valorização contínua.
Culturalmente, o brasileiro enxerga o imóvel como um ativo que não perde valor — e, num mercado financeiro tão volátil quanto o nosso, essa percepção segue sendo um dos pilares que sustentam o setor mesmo em tempos incertos.