A Impacto apresenta hoje mais um perfil de sucesso no meio imobiliário: Mariana Padilha Accurso. Com paixão por empreender, hoje ela atua como CFO (Chief Financial Officer) na Lydia, uma startup que iniciou suas atividades em 2019, mas já demonstra ótimos resultados na aceleração de leads para o setor imobiliário. 

Entrevistada pela nossa equipe, ela conta como foi seu percurso até se tornar CFO da Lydia. Desde sua formação no Colégio Metodista de Porto Alegre, até sua experiência com o voluntariado, tudo em sua vida a motivou e a influenciou na tomada de caminhos inesperados.

 

O trabalho voluntário e o contato com outras realidades

Mariana estudou todo o período escolar no Colégio Metodista de Porto Alegre, mas foi aos seus 13 anos que ela teve a oportunidade de iniciar os trabalhos voluntários. A instituição privada oferecia um programa da pastoral, no qual era possível visitar Casas de Passagem que atendiam meninas que se encontravam em situação de vulnerabilidade social. 

Foi esse contato com uma realidade oposta à que ela vivia que a fez refletir e buscar maneiras de amparar pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao visitar a Recreação da Oncologia Pediátrica do HCPA (Hospital de Clínicas – Porto Alegre), Mariana passou a acreditar que cursar medicina seria a maneira que ela procurava para ajudar as pessoas.

 

O contato com uma nova possibilidade: o empreendedorismo

Já no primeiro ano do ensino médio, ela foi apresentada à Junior Achievement, pelo Programa Miniempresa. Nesse espaço ela pôde, juntamente com outros jovens, desenvolver suas habilidades de empreendedora: ela foi responsável por desenvolver uma empresa e criar um produto para ser comercializado. Eleita como presidente da miniempresa, ela desenvolveu habilidades, como: venda de ações para levantar o capital necessário para a formulação do produto, bem como o controle e fabricação de relatórios necessários para empreender.

Com a orientação de advisers, a futura CFO ganhou o prêmio de melhor vendedora. A sua experiência com a miniempresa despertou nela o seu espírito empreendedor e a fez enxergar outras possibilidades de ajudar os outros, além da medicina. 

Encantada com sua nova paixão, ela se associa ao NEXA (Núcleo de Ex-Achievers) e se torna Adviser Junior do projeto que acabara de mudar a sua vida. Tal oportunidade abriu as portas para um mundo totalmente novo, possibilitando que ela viajasse para a Argentina aos 16 anos para participar do FIE (Fórum Internacional de Empreendedores). O contato e a identificação com outros jovens empreendedores a motivou ainda mais a seguir na área.

Com 17 anos, era chegada a hora de escolher entre duas grandes áreas de seu interesse, medicina ou administração. Se cursasse medicina ela poderia viajar o mundo e ajudar os outros pelo programa Médico Sem Fronteiras. Mas seu interesse por administração já vinha sendo construído desde pequena, dado que ela recebia grande influência de seu pai e avô, que também eram economistas, além do seu próprio gosto por números e pela experiência na Junior Achievement. Decidiu, então, prestar vestibular para os dois cursos, medicina na UFRGS e Administração na PUCRS.

Aprovada em administração, Mariana não ficou muito tempo parada. Para garantir novas experiências e aprendizados, ela ingressa em um estágio na Corregedoria do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Na Corregedoria, Mariana auxiliou nas planilhas de férias, substituição, permuta e licenças dos promotores de justiça, além disso, possibilitava o andamento de processos e auxiliava em demandas administrativas. Se tornar uma excelente profissional não foi uma tarefa fácil: ela trabalhava oito horas por dia e estudava à noite.

 

Mariana relembra com carinho dessa experiência:

“Eu tive a sorte de ter colegas, que hoje se tornaram amigos, experientes profissionalmente, generosos no compartilhamento de conhecimento e informações. Foi uma grande experiência profissional e de desenvolvimento pessoal. De segunda a sexta, eu trabalhava 8 horas por dia e à noite fazia faculdade até às 23 horas, e, aos finais de semana, estava sempre envolvida com algum evento ou programa da Junior.declara.

 

Após completar seu período de estágio, Mariana ingressa em sua nova jornada no Banco Banrisul. Com duas horas de trabalho a menos por dia, ela conseguiu concluir seu TCC e se formar. Assim que completa 1 ano e meio no estágio, Mariana se forma e decide realizar um velho sonho: viajar pelo mundo.

O sonho ainda envolvia a vontade de conhecer outras culturas e aprender uma nova língua. Ansiosa pela possibilidade de viver novas experiências, Mariana embarca, em 2008, para Brisbane, na Austrália. Mariana considera essa experiência como uma das mais importantes em sua vida, pois foi esse aprendizado que lhe trouxe a oportunidade de estudar inglês, se aventurar por outro país e ainda trabalhar fora durante um ano. 

A partir da viagem, nasce uma nova parceria profissional da qual ela faria parte por quase 10 anos. Ela foi contratada pela Egali, empresa que realizou seu intercâmbio, para auxiliar no controle financeiro e administrativo. Logo, iniciou sua pós-graduação em finanças empresariais na ESPM. Seu interesse pela área financeira era tão grande que ela ainda faria mais duas especializações posteriormente, sendo elas: pós-graduação em Finanças na UFRGS e MBA – Desenvolvimento Humano de Gestores na FGV.

Como resultado de todo seu esforço, ela se tornou CFO da Egali. A empresa que possuía, quando ela chegou, cerca de 20 funcionários, a fez responsável por abrir sedes no Brasil e no exterior, em países como: Argentina, Colômbia, México e Equador. Sob sua supervisão estavam o setor financeiro e o departamento pessoal de todos os 16 países onde a empresa possuía sedes.

 

O começo da Lydia e seus desafios

Em 2019, outra página importante da sua vida estava para ser escrita. Um dia após a saída de Mariana da Egali, ela recebe a ligação que mudaria o curso de suas decisões: seu amigo, e atual sócio, Roberto, a convida para uma reunião.

Na reunião, ela é apresentada ao projeto da Lydia, ali ela entende quais são os objetivos do projeto e sua função para o desenvolvimento da estrutura da empresa. Inicialmente, ela prestaria um serviço de consultoria para a criação da empresa. Mesmo tendo em vista propostas de trabalhos em cargos de diretoria financeira, cujo salário seria mais alto, Mariana se apaixona pelo projeto da Lydia e decide encarar o desafio.

Em agosto de 2019, os 02 sócios, Mariana e Roberto, tinham o desafio validar o projeto. Segundo Mariana, foi o começo de um período de desafios. Isso porque eles precisavam criar o MVP (Produto viável mínimo) enquanto a empresa ainda não possuía faturamento, portanto, os dois sócios eram responsáveis por todo o investimento. Foi preciso contratar um desenvolvedor para ajudar nas implicações tecnológicas e, assim, tornar viável o início das atividades do mecanismo da Lydia.

A atual CFO da Lydia nos conta que foram mais de 18 meses de dedicação à empresa, ou seja, nenhum dos sócios usufruía dos lucros; todo o faturamento era prontamente reaplicado na startup.

Como retorno de tanta dedicação e investimentos, a empresa consegue entrar no Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da PUCRS), e aumentar seus resultados mesmo em meio à pandemia, recebendo seu primeiro investimento pela WOW em 2020. Tal conquista a motivou ainda mais:

 

“Isso nos deu um grande incentivo e mostrou que estávamos no caminho certo, com isso, seguimos escalando os resultados e atingimos a meta de 2020. Entramos em 2021 com novos clientes e, seguindo o planejamento desenvolvido, aumentamos a equipe, a prospecção de clientes… Agora, em junho, finalizamos a 2º rodada de investimentos com BVC e, novamente, a WOW.” completa Mariana.

 

Conquistas e desafios da Lydia

Mariana ainda conta com orgulho que a Lydia possui uma taxa de “churn” de 0%. Isso quer dizer que, desde o começo da empresa, nenhum cliente que tenha contratado os serviços da startup desistiu depois.

A empresa possui desafios na prospecção de novos clientes, já que a Lydia precisa conhecer e identificar qual é a dor do cliente para mostrá-lo como é possível saná-la. Mariana afirma que empreender não é fácil, mas, mesmo com tantos desafios, ela incentiva que mais empreendedores acreditem em seus objetivos e tenham vontade de vencer as dificuldades, afinal, muitos obstáculos surgirão no caminho e, segundo ela, sem resiliência e comprometimento, é comum que muitos abandonem seus objetivos.

 

Ela ainda aconselha quem pretende empreender:

“Uma dica que eu daria é: procure conhecer o mercado, conhecer os seus concorrentes, entender a real necessidade do seu cliente e se cercar de pessoas que agregam ao seu negócio, seja por meio de mentorias ou parcerias. Aproveite a jornada e, como diz o ditado: ‘mar calmo nunca fez um bom marinheiro” finaliza.

 

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